terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

VÓ, VOCÊ ESTÁ AÍ?



Voz de neto é música para meus ouvidos

Sentada prazerosamente na varanda, lia um belo livro, aliás, nome sugestivo, “O livro dos abraços”, de Galeano, enquanto aproveitava o ventinho gostoso que vinha do mar. De repente, um som intrometido e característico interrompe minha leitura. Abro o celular e leio: Vó!

É assim que os netos Gustavo e Gabriel costumam fazer. Lançam um “vó” no whatsapp, para que eu entre on line e eles falem o que desejam, principalmente quando estão fora de casa.

Hoje o Gabriel resolveu telefonar. E quase chorando, porque esquecera na mochila do Inglês o material que teria que levar para a aula. Ligou para meu celular, mas não ouvi. Quando ligou de novo, talvez pensando que eu não iria atender ao telefone de casa, já estava com voz de choro. Vó, cê tá aí?
De uma outra vez, era o Gustavo. Telefonei, para ganhar tempo. Queria recomendar o tipo de ovo de páscoa que desejava e teria que ser depressa, porque só era encontrado nas Lojas Americanas.

O dia inteiro ouço esta cantilena: Vó, faz isso para mim, vó, me leva em tal lugar, vó, você pode me levar à escola hoje? Vó, você traz pra mim o caderno que esqueci em sua casa? Vó, faz macarrãozinho pra mim. Ou, então, no meu ouvido, quando viajamos: vó, quantos chinelos você trouxe? Nesse caso, já sei que esqueceu os próprios chinelos em casa. Daniel  não telefona, mas é mestre em falar de presentes de nome esquisito. Teté (é assim que ele me chama), o presente que quero no meu aniversário é... ( e fala um nome que não entendo), mas você pode olhar isso na internet, tá? E quando está aqui em casa, pergunta depressa: Você pode me levar à escola?  Leozinho, por enquanto, só me pede pra brincar com ele. E temos longas conversas nas brincadeiras.  Pedro, ainda muito pequeno e morando no exterior, fica só na saudade.

É uma relação interessante essa de avós e netos. Quem não se lembra do tempo de criança em casa de avós? Eu, de vez em quando, me vejo pequena, sentada em volta de uma enorme fogueira, escutando meu avô contar histórias. Ou com minhas tias, pescando lambaris num riozinho de águas transparentes.

É uma relação tão prazerosa, que fico a imaginar como fazem, ou como sentem as avós, quando são impedidas de ver os netos. Digo isso, porque há separações de casais em que um dos cônjuges está tão magoado que impede ou dificulta a relação das crianças com a família do outro. Deve ser muito triste.

Por isso, quando um neto me chama, não tem livro bom, não tem ventinho gostoso, não tem nada.
Só tem o neto me chamando...

Maria Francisca – maio de 2015. Publicado, inicialmente, no site: www.questoesdefamilia.com.br







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